quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eterno incerto retorno


Ainda canto o ido o tido o dito

O dado o consumido
O consumado
Ato
Do amor morto motor da saudade
Caetano Veloso


A infeliz certeza do precário eco de um “se”
ressoa nas fraturas do sorrir.

Vozes voltam a velar vícios
de voltas vagas de devaneios:

a vida, nas voltas ao corpo,
tirando folga do vazio só.

.......................................................................

A dor que se fez canto
em insônia faz-se hino.

Uma lágrima,
pingando os “is” de risos e carinhos
nas memórias do aqui.

Um rio, vertendo versos
num longe aqui.




sexta-feira, 16 de abril de 2010

A caverna



O eco infindo no oco,
grito em escura gruta,
e o tato cego a apagar
certezas nos vultos de
esperanças.

Desfeito nas abissais
do vazio, o chão desdiz
a saída

nas voltas de um peito
a desver luzes,
seguindo sombras
de um estranho pulsar –
fora, dentro, outro.




sexta-feira, 9 de abril de 2010

Peito aberto



Mesmo quando os olhos

voltam-se ao negro leito
do peito rachado,
ainda há o vermelho
manchando o escuro

som de ecos, passados,
de partidas, dores ferindo
um sonho insone
de um outro despertar

e sentir a dor
de olhos abertos:
não se desfazer

em restos de sonhos
gastos por lembranças
de vãs esperanças.

O peito pode até doer,
mas é ele quem pulsa;
o peso pode até te parar,
mas o passo é seu pulso.


Provavelmente mais uma letra de música guardada no fundo de uma pasta zipada.