sábado, 1 de maio de 2010

Acróstico apocrifamente pedagógico



Falácia na fala profética, beijando

As almas bem-aventuradas, cravadas em
Cruzes arrastadas pelo santo ofício
E entregues aos desmandos da Legião mestra:
Demônio vestido de utopia, vestindo Cristos no ermo Inferno.



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eterno incerto retorno


Ainda canto o ido o tido o dito

O dado o consumido
O consumado
Ato
Do amor morto motor da saudade
Caetano Veloso


A infeliz certeza do precário eco de um “se”
ressoa nas fraturas do sorrir.

Vozes voltam a velar vícios
de voltas vagas de devaneios:

a vida, nas voltas ao corpo,
tirando folga do vazio só.

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A dor que se fez canto
em insônia faz-se hino.

Uma lágrima,
pingando os “is” de risos e carinhos
nas memórias do aqui.

Um rio, vertendo versos
num longe aqui.




sexta-feira, 16 de abril de 2010

A caverna



O eco infindo no oco,
grito em escura gruta,
e o tato cego a apagar
certezas nos vultos de
esperanças.

Desfeito nas abissais
do vazio, o chão desdiz
a saída

nas voltas de um peito
a desver luzes,
seguindo sombras
de um estranho pulsar –
fora, dentro, outro.




sexta-feira, 9 de abril de 2010

Peito aberto



Mesmo quando os olhos

voltam-se ao negro leito
do peito rachado,
ainda há o vermelho
manchando o escuro

som de ecos, passados,
de partidas, dores ferindo
um sonho insone
de um outro despertar

e sentir a dor
de olhos abertos:
não se desfazer

em restos de sonhos
gastos por lembranças
de vãs esperanças.

O peito pode até doer,
mas é ele quem pulsa;
o peso pode até te parar,
mas o passo é seu pulso.


Provavelmente mais uma letra de música guardada no fundo de uma pasta zipada.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Circuito oval



incompleto. Era a licença para seu andar manco, pendente para um estranho lado. Peso silente, o peito desequilibra a rua ordeira e passageira nos descaminhos do homem. O sinal, as buzinas, placas, ordens; sinais. As voltas, vozes, fardos, vidros, fatos e a vida a furar o sinal vermelho. Era o breque que o peito cadente almejava para ordenar seu eixo; luz da cor do que escorre da quase-queda – devia parar? O verde agora iluminava uma corrida, queimando a largada de alguém que mal viu o rubro brilho apresentar suas lembranças. Alguém que, nas voltas dos ponteiros, momentos, lamentos e das praças, caía para um lado vazio, de sonhos engarrafados. Voltava a sentir-se



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pensamento dos dias parte 14



Caído, o pirulito. O choro chato da criança, na esperança da desqueda. Assim são lágrimas: caem no desejo de que façam subir sorrisos do sujo chão.

E o lamento a transbordar, deixando nas mãos apenas um plástico colorido, outrora embalagem de uma doce fortuna.