sábado, 21 de junho de 2008

Como (sobre)viver em um curso de humanas


1. Não deixe de ler. Caso não leia, pegue o resumo do texto que o professor falou e vomite para todos. Nem é necessário dizer que precisa ser um texto de teor marxista.

2. Filmes, só em sala de arte. Nunca diga que você foi ao Cinemark ver Homem de Ferro (se for, vá escondido. Um filme desses não é para seu 'nível', não acha?).

3. Jeans e camisa da Mitchell é inadmissível! Sua roupa precisa de, pelo menos, 5 cores distintas. Óculos preto apenas se for bem estranho.

4. Futebol é esporte de massa. Você defende a massa, mas não gosta de esporte. Exercício físico, como é tradição colonial, é coisa de gente de baixo nível. Você é 'intelectual', não esportista.

5. Não debata; quebre, queime, grite etc.

6. Fume maconha e 'respire' seu discurso libertário. Mas não se importe se foi um traficante quem vendeu.

7. Ouça MPB e qualquer banda ou artista que seja nacional e que faça algo fora da mídia. Isso não inclui pagode. Você é 'culto' e isso é música inferior.

8. Você é 'culto', então sabe mais que os outros. Não dê ouvidos a outros argumentos.

9. Seja sexualmente liberal, mas abomine o carnaval e festas de axé.

10. Abomine qualquer outro estilo musical que não seja MPB, música erudita ou algo que tenha relação com culturas regionais.

11. Seja vegetariano. Se você achar um cachorro abandonado na rua, leve-o para casa. O mendigo pode ficar onde está.

12. Nariz empinado é tão obrigatório quanto um militar marchar corretamente.

13. Não use marcas famosas. Deixe pra comprar camisas caras na Mito. Já que todos compram lá, vá em grupo. Assim vocês saem vestidos com a mesma camisa.

14. Não leia, nem sob tortura, Paulo Coelho.

15. Compre revistas que realmente se importam com o social, com uma população mais bem informada. Mas prepare-se: elas são caras (e nem todos podem comprar – fator que também te torna um 'culto').

16. Faça curso de teatro, ou pelo menos seja teatral. Ser espalhafatoso também é ser 'culto'.

17. Utilize qualquer coisa no seu nome do MSN, menos seu próprio nome. Sempre utilize uma frase de MPB ou de um poeta em sua mensagem pessoal.

18. Seja expert em teses para liberação de drogas, mas esqueça uma forma efetiva de distribuição de renda (ou você não acha que o Bolsa Família é assistencialista?)

19. Tire fotos estranhas. Não serão estranhas, mas sim profissionais, de quem tem um olhar artístico.

20. Gaste uma fortuna em um show de MPB, mas critique quem paga caro para ir em shows de axé ou forró.

21. Cult = culto.

22. Seja devoto de São Jorge ou, pelo menos, coloque em seu perfil do Orkut a oração dele.

23. Você é culto, então não pode achar graça desse texto superficial e sem criticidade. Nos seus chás, cafés e saraus nascem discussões e textos muito mais construtivos.


Com o que tem de gente merda desse tipo, dá pra fazer da UFBA uma fábrica de adubo...


sábado, 24 de maio de 2008

Corrida com Obstáculos




Avenidas vazias e movimentadas.

Vozes gritam,
mas ninguém faz questão de ouvir.

Muita gente,
pouco espaço,







nenhum contato.








O cronômetro calou todo mundo.
Pessoas competem com ele,
se atropelando.
- Ele não pode vencer!

Com quem eu concorro?
As pessoas na rua me atrapalham
também.

Mas o cronômetro já venceu.
As pessoas estão atrasadas?
Ou são...?


Essa foi a 1ª produção de vídeo feita por mim. Já deu pra aprender a fazer algo melhor que esse vídeo.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Helloween - I Want Out (tradução)



Helloween - I want out

Composição: Kai Hansen

Eu quero sair

Desde o início de nossas vidas
Somos empurrados para pequenas fôrmas
Ninguém nos pergunta
como gostaríamos de ser

Na escola eles nos ensinam o que pensar
Mas todos dizem coisas diferentes
Mas estão todos convencidos
De que estão certos

Então eles continuam falando
E nunca param
E a certa altura você desiste
E a única coisa que você deixa de pensar
É essa:

Eu quero sair - e viver minha vida sozinho
Eu quero sair - me deixe ser
Eu quero sair - e fazer coisas do meu jeito
Eu quero sair - viver minha vida e ser livre

As pessoas me dizem A e B

Eles dizem como eu devo ser As coisas que já me são claras
Então me empurram de um lado para o outro
Eles me levam de um lado extremo ao outro
Me empurram até que não haja nada para ouvir

Mas não me levam ao máximo
Calem a boca e saiam daqui
Porque eu decido de que jeito
As coisas vão ser

Eu quero sair - e viver minha vida sozinho
Eu quero sair - me deixe ser
Eu quero sair - e fazer coisas do meu jeito
Eu quero sair - viver minha vida e ser livre

Há um milhão de jeitos
De ver as coisas na vida
Um milhão de jeitos de ser um idiota
No final, nenhum de nós esta certo
Ás vezes nós precisamos ficar sozinhos

Não, não, não,
me deixem só.

Eu quero sair - e viver minha vida sozinho
Eu quero sair - me deixe ser
Eu quero sair - e fazer coisas do meu jeito
Eu quero sair - viver minha vida e ser livre

Fonte - http://letras.terra.com.br/helloween/107429/

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Prelúdio (repostado)

(Leia com a música. Espere carregar toda.)

A noite estava pesadamente escura. A 4ª Bachiana ressoava por todo o teatro. Todos os espectadores, trajados elegantemente, como o ambiente pedia, saíam satisfeitos. Era uma área high class, como muitos diziam lá. Ouviam-se saltos altos, celulares tocando, motoristas particulares chegando. Mas alguma coisa mantinha a Bachiana ressoante naquele lugar.

Havia um mendigo na porta do teatro. Encolhido, pois o vento era muito forte. Era um período de chuva. Os espectadores comentavam sobre a beleza que eram as peças de Vila-Lobos. “Dava orgulho de ser brasileiro, ao ouvi-lo”; era o que alguns diziam, resumindo o pensamento de todos que estavam no teatro. O mendigo continuava lá fora. Não poderia compartilhar da mesma opinião. A fome e a falta de panos não o deixaram ouvir a orquestra. Ouvia apenas a indiferença que saia dos espectadores. Gestos, falas, sorrisos que não eram para o pedinte. A Bachiana era tão bela...

O vento ficava cada vez mais forte. O tempo, mais fechado. Guardas-chuva se abrem. O mendigo se encolhe, olhando para os lados. Não há lugar para se proteger. Ele levanta. Receoso, tentando se cobrir com o pouco de pano e papelão que tinha em mãos, se aproxima da entrada principal do teatro. Tenta conseguir pelo menos alguns papelões a mais ou um espacinho no teatro até passar a chuva. Os espectadores se entreolham. Torcem bocas e olhares, aumentando o frio no homem estranho que aparecera. Um segurança, ainda se aproximando, gesticula para o mendigo se afastar. Ali não era lugar para ele. O farrapo nem ao menos se explicar conseguiu. Empurrado e abatido, volta para a rua.

A chuva ficou mais forte. Começava a respingar nos espectadores que estavam na porta do teatro. Eles entraram para se proteger, apesar do concerto já ter acabado. Só um homem estava lá fora. Não dava pra ver o rosto dele. A chuva era mais forte. Devia haver lágrimas marcando o compasso da Bachiana, mas ninguém ouvia. Talvez a Bachiana do mendigo não precisasse mais de choros. A sua regência era eterna. Os espectadores continuavam a conversar e a elogiar o espetáculo. “Como um homem inseria tanta brasilidade na música erudita? Era esplendoroso!”. Eles só pensavam na Bachiana.

O mendigo, ainda na porta, olhou novamente para os lados na esperança de achar um abrigo. Seu papelão e sua roupa já estavam ensopados. Ele começava a se tremer. O frio aumentara, assim como o vento. Voltou-se para o teatro. Alguns espectadores olhavam, talvez mais preocupados com seus motoristas que demoravam a chegar. Alguns até comentavam sobre o mendigo. O homem da rua, que não sabia mais para onde olhar (sua cabeça estava abaixada), ergue suas mãos tremidas pelo frio até o peito e as junta. Após isso, ele vagarosamente se ajoelha. Não havia mais para onde olhar. O céu estava fechado. E o chão escondia sua vergonha.

Os espectadores se espantam. Não se ouve mais elogios. Nem a chuva era ouvida. Apenas um choro regendo um prelúdio. Prelúdio este que não acabava. Ecoava em cada dia desse homem ajoelhado, mesmo sem ele nunca ter pisado em um teatro.

O prelúdio ganha um novo regente. Não há gestos graciosos de um maestro, mas sim duas mãos trêmulas, unidas e encostadas ao peito. Os espectadores começaram a ouvir, de verdade, a Bachiana. Lágrimas acompanhavam a sinfonia ouvida por aqueles que o teatro sempre deixara de fora. A Bachiana era muito mais conhecida para o mendigo do que para os espectadores. Ela o tocou primeiro. E ele não quis ouvi-la. Era ele o maestro, agora, e os espectadores sentiam a triste regência escorrer entre gotas de chuva e lágrimas. As súplicas que nunca foram ouvidas, as moedas que nunca foram dadas, um espaço não cedido para que a chuva não o molhasse, lágrimas que nem com a força dos céus conseguiam ser ouvidas. Agora a Bachiana fazia com que aqueles que estavam dentro do teatro ouvissem o maestro. Ouvissem suas lágrimas.

Mas, ainda assim, os espectadores continuavam dentro do teatro, e o mendigo, fora. Alguns saíam pelos fundos do teatro, outros passavam pela escada que o mendigo se encontrava. O segurança não tinha mais coragem de tirá-lo de lá. Ninguém tinha coragem de, ao menos, olhar para ele. A chuva escorreu a dignidade de todos. A chuva escondia o rosto de todos. O maestro conseguiu comover sua platéia. Mas as palmas não vieram. Todos olhavam para baixo. O prelúdio se eternizou.



quarta-feira, 12 de março de 2008

Escalando a Montanha



Para um dos 'novos' pecados capitais:
a desigualdade social.


Há uma Igreja em minha frente.

Gente chegando,
carros parando,
Logo a casa se enche.
Fiéis
levantam mãos,
queimam o fogo em suas almas.

Está frio aqui fora.

A hóstia é passada.
Tem para todos
Menos para mim...
O vinho é passado:

eu só queria água...

Um choro.
Pena,
raiva,
dor.

Chove muito.
A casa de Deus é quente,
aconchegante,
mas não entro.
Não se entra na casa
dos outros
desarrumado.

Bem-aventurado o que chora,
porque ele será consolado.

A chuva pára.
Alguém se aproxima,
andando pela rua,
em minha direção.

Um pão!
Um copo de água!

Pessoas saem da Igreja.
Voltam a seus carros,
seguem seu caminho.

Suas almas queimaram de fé
lá dentro.
Nada sobrou para cá fora.

O homem que veio a mim
está aqui ainda.
Já os outros que rezam o terço

Não estão acompanhados.



terça-feira, 4 de março de 2008

Tudo por causa de um show



Claro que minha intenção inicial era apenas ir para o show da banda que mais admiro nesse mundo: Iron Maiden. Mas um ingresso de 185R$ me deu muito mais do que eu poderia pagar, ou merecer. Começarei falando da viagem em si. Foi a 'primeira' vez que fui para outro estado (já viajei para SP, mas eu tinha uns 3 anos. Aí nem conta). É uma experiência única viajar para um lugar desconhecido, mesmo que seja por pouco tempo. Você cresce, passa ver os outros (e você) de forma diferente. Ainda mais se falando de uma cidade tão grande (puta merda! Grande pra caralho!).
Mas o que faz a cidade viver são as pessoas. E essas que me fazem esrever esse texto agora. A princípio, eu iria ver o show sozinho. Não fazia questão alguma de ir com uma galera, cachorro, papagaio, uma companhia, enfim. Mas, graças ao MSN e ao destruidor de casais (Orkut), conheci um pessoal que fez valer ainda mais minha ida pra São Paulo. É bonito ver que todos tem em comum a paixão por uma banda e o esforço de ver um show tão importante como foi esse.
Mas, do mesmo modo que cada um desses meus novos amigos se esforçaram para ter o ingresso em mãos, eles deram um jeito de reunir o máximo de conhecidos. Sol, sede, calor (dos infernos!), vontade de fazer xixi, raiva por não ter levado máquina fotográfica, esqueci isso tudo quando estava lá com essa galera. Passei a valorizá-los muito mais do que muita gente que estudou comigo e que vive aqui em minha cidade.
Distância é o que dizem que há quando se deixa esquecer o que se é importante. Tanto esse show, quanto esses momentos que passei rindo debaixo de um sol miserento, foram de igual alegria para mim. Tão importante quanto o show de sua vida, são os amigos que agora são sua vida também.

Obrigado!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

2 Minutes to Midnight (tradução) - Iron Maiden


Iron Maiden - 2 minutes To Midnight


Matar pelo lucro ou atirar para mutilar
Mas nós não precisamos de uma razão
O Ganso Dourado está solto
E nunca fora de estação

Algum orgulho escurecido continua queimando
Desta casca de deslealdade sangrenta
Aqui está minha arma para um pouco de diversão
Pelo amor dos mortos vivos

A cria do assassino ou a semente do demônio
O glamour, a fortuna, o sofrimento
Ir para a guerra de novo,
O sangue é a mancha da liberdade
Mas nunca mais reze pela minha alma

2 minutos para a meia-noite
As mãos que amedrontam o destino
2 minutos para a meia-noite
Para matar no útero o não-nascido

Os cegos gritam, deixam as criaturas sairem
Nós mostraremos aos descrentes
Os gritos de napalm de tochas humanas
Numa festa de primeira ao estilo Belsen

Enquanto os responsáveis pela matança
Cortam sua carne e lambem o molho
Lubrificamos as mandíbulas da máquina de guerra
E a alimentamos com nossos bebês

Os sacos de corpos e pedaços
De crianças partidas ao meio
E a pasta de cérebros dos que viveram
Para apontar o dedo para você

Enquanto os loucos brincam com palavras
E nos fazem dançar a sua música
Gastando milhões para fazer
Um tipo melhor de arma

Meia-noite... a noite inteira...