sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Fortunas da Guerra




Marcha,
Tropas,
Armas,
Mentes.

Lágrimas,
Lembranças,
Medo,
Ordens,
Destino.

Fogo,
Neblina.

O ponto final da razão.
O céu se fecha.
O fogo engole almas,
casas, palavras,
Crianças.

A chuva cai.
Sangue cai.
Bombas caem.
Corpos caem.

Os tiros não param:
matam um pai com dois filhos,
matam um médico que queria salvar vidas,
uma senhora que carregava sua filha,
morta
por um tiro que o céu, aos prantos, não viu.

Os tiros acertam cabeças mortas.
Os tiros saem de cabeças mortas.
A guerra nasce de cabeças mortas.

Nada pensam.
Trocam o pente,
apenas apertam o gatilho,
tiram o pino,
matam um filho,
explodem um abrigo.

Fogo, fumaça, sangue,
tudo se mistura.
Vira cinza.

Cinzas...

A fênix não ressuscitou.

A esperança resolveu ser do contra:
morreu com os tiros do 1° pelotão.

O amor morreu abraçado com uma criança que queria ser herói.

Na guerra,
Generais viram estátuas.
Heróis...

Os homens não amam os inimigos.
Porque são inimigos?
Inimigos choram?
Crianças são inimigos?
Doentes são inimigos?

Não se ouve a resposta.
Os tiros não deixam.
E quem poderia responder
já deve ter morrido.

As mãos se apertam em armas,
Os abraços são em mortos.
Os sorrisos são para alvos acertados.

A mãe morta,
arrastada até um escombro.
Bombas,
tiros,
nada se ouve.
O filho vê uma arma.
Um cadáver de um soldado.
Outro.

Raiva,
Arma,
Mãos,
Mãe,
Morta,
Tiros,
Morto,
Filho.

Tropas,
Marcha,
Avanços,

Vitória...



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