quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O presente



A festa, a fome, a forra, a farra:

Mãos estapeiam salgados –
farelos na toalha de mesa
depondo a tirania materna.
A criançada dava seu presente.

E, nas voltas rotas das dobras,
o segredo tonteando o tato.
– Venha partir o bolo, menino!
As mãos tapavam os ouvidos
no passeio cego do toque.

– Não vai comer nada?
Estava envolvido pelo laço azul
num tempo cinza e de barrancos.

A embalagem cobria a laje da chuva.
Um cartão, pequeno, com breves letras,
antecipando o pequeno trator amarelo:

É com um desses que seu pai está fazendo nossa casa.
Te amo.

e aquela esperança amarela
no sorriso do menino,
que se alimentava dos farelos
na mesa de doces.



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