sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amantes



O vermelho que tingia trajes íntimos ficara no chão, sobrepondo-se a um jeans surrado. No ar rubro, evolava-se a incandescência de olhos embaçados pela inebriante fumaça. O incêndio, antes guardado em costumeiras vestes, despe o desejo, agora livre. Não havia janelas, olhares, tempo ou espaço – sumiram na chama; nada havia além de duas brasas batendo dentro de dois corpos: magma incendiando o mundo e que, nas cinzas do amanhã, manter-se-á acesa como centelha da memória de uma viva vontade.




8 comentários:

  1. Esse já foi publicado antes, ou eu já li um semelhante? Não importa. Você sempre soube como formar belas construções.

    Abraços!

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  2. Sim, já havia publicado, mas apaguei. Postei de novo com algumas modificações, próprias para o contexto. =)

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  3. " O magma, aqui dentro, reagiu e tomou vida própria, individualizou-se, libertou-se do meu desamor e se fez criatura autônoma, com que talvez eu já não esteja de acordo, mas a que vossa consagração me força a respeitar."

    Magma- João Guimarães Rosa

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