sábado, 18 de janeiro de 2014

Mergulho do ilhado III



Um rio limpa a terra encarnada nos pés gastos,
mas não desfaz suas rachaduras.
As fraturas engrossam a pele, mesmo limpa.

Não há foz para decantar a dor levada,
ainda alcançada pelos meus olhos.

E um mar de barro se veste
com o pôr-do-sol,
inundando todo meu corpo.

Deles surgem fissuras esquecidas;
formando rochedos,
falésias de memórias
intermináveis -
incompletas.

E o vermelho da criação,
Gênesis de lama e sangue,
tornam a carne dura pedra,

de silêncio e naufrágio.



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