domingo, 28 de setembro de 2014

Via Láctea


Não vi a noite naquele universo
quente, de claro afeto e calma.

Um som rasgava minhas órbitas
mortas há milênios-luz,
e um sol tonteava astros em mim.

Afundava-me no Branco,
pulsante, como o primeiro fogo –
o verbo que, de sua boca,
brotava a aurora do universo.

Eu desvia a vida em que afundava,
secando-me de vácuo e frio:

quando mudo me quis Lua,
explodi, supernova.

E da luz aberta,
num Todo-horizonte,
era eu clareira,
caminho,
você.

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