domingo, 1 de novembro de 2009

Um mero grampo



Agora dobrado em seu vazio, abraçado ao passado vestido de um pedacinho de papel. Antes útil: metal, elo, folhas juntas – um livro. Na verdade, xerox, mas os direitos autorais não embargam a beleza das letras. O grampo era a corrente das páginas daquela história leve, lida em breves horas. E era sua alegria se entrosar naquela pequena história que nunca terminava. Não apenas fazia com que um ou outro lesse o texto sem se perder em papéis soltos, mas também se deleitava com a história. Também a construía.

Mas o grampo era fraco. Fino. Queria ser personagem naquela fábula, queria estar nela. Mas o canto era seu lugar. A assistência para que a história fosse bem lida. Não devia se iludir: o ferro fino que era faz da sua fé ferrugem. O abraço em folhas era alegria, mas o vácuo se intromete nos braços. O grampo era só e suas folhas eram sua história.

Voam-se as folhas, soltas, no ar, alheias aos braços abertos do grampo, pedindo-as de volta. A história ainda vivia? Decerto. Organizaram-na numa encadernação: capas duras que vento ou tempo não podem ferir.

O grampo, no chão, desusado. Um pedaço de folha ainda preso nele. É o que ele pode ter. Era o que a história poderia ser para ele. Nada mais.



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