terça-feira, 22 de maio de 2012
Preces e botes
sexta-feira, 4 de maio de 2012
... a calmaria.
domingo, 29 de abril de 2012
A gota de lábios
Nunca provei do vermelho que escorre
do leve de seus lábios.
Mas pintam meus olhos, cegos das cores,
que, subitamente, sentem a sede de arco-íris.
Nunca provei do vermelho que inflama
a carne de seus lábios.
E num estranho sentir do Sol em cada solto sorrir,
desfaço-me em fagulhas de vontades, estalando suspiros.
Nunca provei do vermelho que toca
a carne de meus lábios.
É o maior dos sonhos que toma meu corpo – incandescido
e que mergulha no tinto etéreo do prazer.
Nunca provei do vermelho que embebeda
a carne de meus lábios.
Porém em vagas calmas e tormentas me encho
de desejo: oceano, vulcão e sangue.
segunda-feira, 26 de março de 2012
O nascer da calma
sábado, 3 de dezembro de 2011
Cristal
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Da face, a noite
Perdi o sono, a noite e você.
E a distância entre nossos olhares
Apenas o silêncio media.
Vi meus olhos chamarem no velho espelho
Meu rosto gasto, esquecido pela sua voz doce,
Que brilhava a luz de seu sorriso.
Minha cama agora é o reflexo a me encarar:
reviro-me, estremeço, choro.
Enquanto a noite perdida arrasta-se
Nos passos que te levam.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O último ladrão
Espantado, olho ao lado do meu corpo
o denso Vazio que fumava meu sorriso.
Era a noite, mal-educada, que tocava
em mim a ausência, gargalhando aquilo
que eu trancava em meus dias.
E quanta arrogância no seu rosto,
que me acordava aos sustos, cuspindo
desesperanças e velhos espelhos,
enquanto, fraco e surdo, encaro-o,
deportado da brandura que me iluminava.
Tirando o cigarro da boca, pôs-se
em minha frente – rígido.
Travou meus passos, apontando os olhos
para minha fatigada face.
Estáticos. Silêncios. Frio.
Do nada feito, porém rei na longa noite,
o Vazio expandiu-se, a confundir-se
com o Universo. Postes, luzes e estrelas,
engolidas pela fome negra, apagaram-se.
A noite não devorou meu tremor e meu frio,
para marcar-me a memória do que ela deixou,
do que me levou. Do que eu a deixei levar.
E minhas mãos, a agarrar lágrimas e desesperos,
confundiam-se com a noite, em meu rosto coberto –
de dor, vergonha
e medo.
Estava só. Nem alma ou redenção surgiam.
(Depois do terceiro dia restaria apenas cinzas
do cigarro. De mim.)
Estava só. Tocando o etéreo da esperança
que pousava em meus ombros em tinta falsa,
escorrendo de um urubu.
Queria gritar, destemperado,
enlouquecido pela fúria!
Xingar os céus mentirosos,
pintados de azul para rir por dentro
o vácuo de nossa insignificância!
Queria esmurrar a dor,
fazê-la doer mais e mais,
até meu sangue lavá-la,
tal pecador a barganhar paraísos
com deuses mesquinhos.
Mas estava só.
E até meu coração – mudo – foi-se,
deixando-me o eco do que um dia sorri
no Vazio do mundo a me digerir.