segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A casa de meus pais

"Percebo apenas a estranha ideia de família viajando através da carne."
Carlos Drummond de Andrade

A casa de meus pais exibe

o amarelo incerto do quadro.
E, na penumbra moldura,
o gesto largo dum distante viver.

(A casa pouco cabe no eterno,
e, etérea, se enterra funda –
pilar disforme do ocaso.)

No quintal funéreo, a podre carne
se planta: do laço uterino desprendido
floresce o lírio seco, a vagar,
como ermo girassol, por auroras.

Nem a flor cabe na casa – de mudas janelas.
Labirinto de infindos quartos – de cerradas portas.
Teto de estrelas cadentes a guiar últimas ceias.

Varanda aberta e clara. Como o deserto.

A casa de meus pais extingue
o colorido intenso do passado.
E no berço, insistente e adormecido fico:
no edificado sonho
da casa que nunca vivi.



3 comentários:

  1. Muito bonitoo poema, um tema sempre fértil!

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