segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Invisível

"[...] viver - é ser cruel e implacável com tudo o que em nós,
e não apenas em nós, se torna fraco e velho."

Friedrich Nietzsche


Não te vejo na incansável noite do chorar,

que tu tanto fazes de palco de teu sangue,
cinza agonia a escorrer dos poros do não-ser.

Meus olhos se encerram na tua noite, pois nela
apenas teu vácuo grito vaga. E cego me faço,
pois a ti restam estrelas cadentes no eco do nada.

Nego-te com as íris viúvas de tuas lágrimas,
e meu silêncio veda-lhe o choro, nefasto
vício de tua vontade de turvo tudo tornar.

Nego-te em mim, pois às luzes existo,
e deixo ao seu canto o noturno corpo:
farelos no silêncio dum desfeito viver.



Um comentário:

  1. Invejo tanto quem faz poema bem...

    Tive vontade de ouvir com os seus acordes, e sabe, combinou tão bem!
    Você devia tentar musicar um dia.

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